Behemoth e Cannibal Corpse já dividiram palcos e estrada como velhos parceiros do metal extremo. Mas uma turnê europeia das duas bandas deixou uma história particularmente difícil de apagar da memória de Nergal.
O protagonista foi George “Corpsegrinder” Fisher.
Ou melhor: George “Shitmaster” Fisher.
A história de Corpsegrinder Shitmaster começou depois que uma sequência de noites regadas a cerveja terminou da pior maneira possível dentro do ônibus do Behemoth.
Corpsegrinder encontrou um parceiro à altura
Nos primeiros dias da turnê, Corpsegrinder começou uma verdadeira maratona de bebida com Patryk Dominik Sztyber, o Seth, guitarrista do Behemoth.
Segundo o relato de Nergal, os dois bebiam quantidades equivalentes de álcool de maneira sistemática.
E a rotina não parecia muito compatível com a ideia de descanso entre um show e outro.
Nergal conta que acordava por volta das 11 horas da manhã e encontrava Corpsegrinder e Seth ainda sentados na área de convivência, com cervejas nas mãos e completamente bêbados.
Não era o começo da bebedeira.
Era o final da noite anterior.
Bebiam até amanhecer e depois subiam ao palco
A rotina se repetia.
Corpsegrinder e Seth bebiam até o amanhecer. Depois iam para seus beliches, dormiam e acordavam pouco antes do compromisso mais importante do dia.
O show.
Subiam ao palco, cumpriam suas funções e, depois das apresentações, o ciclo recomeçava.
A imagem é particularmente curiosa porque envolve dois músicos de bandas conhecidas justamente pela intensidade física de suas apresentações.
De um lado, Seth com o Behemoth.
Do outro, Corpsegrinder comandando o Cannibal Corpse.
E entre um show e outro, uma competição informal para descobrir até onde aquela bebedeira conseguiria chegar.
A resposta apareceu dentro do ônibus do Behemoth.
A noite em que tudo deu errado
Depois de mais uma apresentação, Corpsegrinder foi novamente ao ônibus da banda polonesa para continuar bebendo com Seth.
Só que dessa vez a embriaguez chegou a outro nível.
Segundo o relato de Nergal, George perdeu o controle motor e acabou defecando nas próprias calças dentro do ônibus do Behemoth.
Para qualquer pessoa, já seria uma situação suficientemente humilhante.
Para alguém conhecido mundialmente como “Corpsegrinder”, porém, havia um agravante.
Ele estava cercado por músicos de outra banda.
E ninguém naquele ônibus parecia disposto a deixar a oportunidade passar.
Corpsegrinder morreu naquela noite
Não literalmente, obviamente.
Mas o apelido morreu.
Depois do incidente, os integrantes do Behemoth decidiram que George Fisher não seria mais chamado de “Corpsegrinder” durante aquela turnê.
O “triturador de cadáveres” ganhou uma promoção pouco desejável.
Nascia George “Shitmaster” Fisher.
A partir daquele momento, segundo Nergal, foi assim que a comitiva do Behemoth passou a chamá-lo.
E não foi uma piada de uma noite.
O apelido acompanhou George até o encerramento da turnê.
A zoação era diária
Nergal descreve as provocações como constantes e impiedosas.
Depois de conquistar involuntariamente o título de “Shitmaster”, Corpsegrinder virou alvo diário das piadas dos poloneses.
Mas há uma parte importante nessa história.
Segundo o próprio relato, aquilo não provocou briga ou ressentimento.
A zoação permanecia dentro da dinâmica de amizade entre os músicos.
É justamente isso que transforma a história em algo além de um simples episódio escatológico.
Por trás de duas bandas que construíram algumas das imagens mais agressivas do metal extremo havia também uma convivência de estrada bastante mais mundana.
Gente bebendo demais.
Amigos tirando sarro uns dos outros.
E um sujeito que provavelmente gostaria que determinada noite tivesse sido esquecida muito antes do fim da turnê.
De lenda do death metal a Shitmaster
George “Corpsegrinder” Fisher construiu uma das figuras mais reconhecíveis do death metal.
No palco, é o vocalista do Cannibal Corpse.
Naquela turnê europeia com o Behemoth, porém, nada disso garantiu imunidade.
Bastou uma noite particularmente desastrosa dentro do ônibus errado para que “Corpsegrinder” fosse temporariamente aposentado.
Até o fim daquela viagem, para Nergal e companhia, uma das maiores figuras do death metal tinha outro nome.
George Shitmaster.
E talvez essa seja uma das regras não escritas mais cruéis da vida em turnê:
você pode construir uma reputação durante décadas. Seus amigos precisam de uma noite para criar um apelido melhor.
Fonte
Adam “Nergal” Darski, Confessions of a Heretic: The Sacred and the Profane: Behemoth and Beyond, capítulo XIII.




